Em julho de 2026, o Brasil já exportou US$ 198,16 bilhões desde o início do ano — alta de 11,7% sobre 2025 — e fechou o período com superávit comercial de US$ 46,90 bilhões, salto de 40,7%. Os números são do MDIC/Comex Stat, o painel oficial de comércio exterior do governo federal, e por trás deles existe uma pergunta prática pra quem vende produto ou serviço no Brasil: quem está comprando, o que está comprando, e dá pra um negócio pequeno entrar nessa conta?
Quem compra mais do Brasil
O ranking não tem surpresa no topo, mas o tamanho da distância entre as posições diz muito. A China segue disparada como maior parceira: 27% de tudo que o Brasil exporta e 22% do que importa vêm dessa relação. No primeiro semestre de 2026, as vendas para o mercado chinês cresceram 21,9% em valor, somando US$ 58,32 bilhões, com superávit bilateral de US$ 19,78 bilhões e fluxo comercial de US$ 96,87 bilhões.
Os Estados Unidos vêm em segundo, mas perdendo espaço: respondem por 11% das exportações brasileiras contra 19% de tudo que o Brasil importa de lá — ou seja, o Brasil compra mais dos EUA do que vende. A Argentina completa o top 3, com 5% de cada lado, uma troca mais equilibrada e típica de vizinho de Mercosul.
O tarifaço americano mudou o mapa
A queda de participação dos EUA tem nome e data: a sobretaxa de 50% anunciada pelo governo Trump em julho de 2025, depois derrubada pela Suprema Corte americana e substituída por uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros em junho de 2026 (com exceção de aeronaves, que passaram a ter alíquota zero). O resultado prático: exportações brasileiras para os EUA caíram 13% em valor no primeiro semestre de 2026, depois de já terem recuado 6,6% em 2025, fechando o ano passado com déficit bilateral de US$ 7,53 bilhões para o Brasil. Setores como carne bovina, que tinha nos EUA seu principal comprador de corte dianteiro, sentiram o baque direto. O espaço aberto pelos americanos foi ocupado, majoritariamente, pela China.
O que o Brasil vende lá fora
Por grandes categorias econômicas (MDIC/Comex Stat), a indústria de transformação responde por 54% das exportações, a extração mineral por 23% e o agronegócio por 22%. Na prática, isso se traduz em poucos produtos concentrando fatia enorme do total: minério de ferro, petróleo bruto, soja e milho lideram a pauta geral. Na relação específica com a China, os destaques são soja, carne bovina, açúcar, celulose e ferro-gusa.
O que isso significa pra quem tem um negócio pequeno
A leitura errada desses números é achar que exportação é assunto de Vale, Petrobras e JBS. A leitura útil é outra: um volume desse tamanho arrasta atrás de si cadeias inteiras de fornecedores menores, embalagens, insumos, serviços de logística e produtos de nicho que não aparecem no ranking de commodities — artesanato, alimentos processados, moda, cosméticos, serviços digitais. Esse comércio cresce por fora da pauta tradicional, via e-commerce transfronteiriço e rodadas de negócio setoriais. E, com o tarifaço mostrando na prática o risco de depender de um único mercado, diversificar destino de venda deixou de ser luxo estratégico e virou proteção básica de caixa.
Caminhos reais pra começar a exportar pequeno
Existe estrutura pública gratuita ou de baixo custo pra isso, e boa parte dela está subutilizada:
- PEIEX (Apex-Brasil): programa gratuito de diagnóstico e capacitação pra empresas que nunca exportaram, com plano personalizado de acesso a mercados.
- Exporta Mais Brasil: conecta micro, pequenas e médias empresas a compradores internacionais por meio de rodadas de negócios e visitas técnicas.
- Programa Cooperar para Exportar: mira 450 cooperativas em 2026, com foco em agricultura familiar.
- Do Feito à Mão ao Mundo: trilha gratuita da Apex-Brasil pra artesãos, ativa até dezembro de 2026.
- Parceria Apex-Sebrae: cerca de R$ 175 milhões destinados a micro e pequenas empresas, com prioridade para Norte e Nordeste.
- Exporta Fácil (Correios): o canal mais usado do país — cerca de 60% dos exportadores brasileiros já passaram por ele. Dispensa registro prévio de importador/exportador, cuida da burocracia da Declaração Única de Exportação e atende pacotes de até 30 kg. Já ajudou mais de 15 mil micro e pequenas empresas a vender lá fora.
Nenhum desses caminhos exige virar trader de commodity. Pra quem já vende bem no Brasil, o recorde de exportações de 2026 é um sinal de demanda real do outro lado da fronteira — o passo prático costuma ser mais simples do que parece: começar pelo PEIEX pra entender o processo e testar a primeira venda internacional pelo Exporta Fácil, sem burocracia pesada e sem precisar de estrutura de multinacional.
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