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Por que a poupança rende tão pouco? Entenda a TR e a Selic

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Muita gente se pergunta por que a poupança rende tão pouco mesmo quando os juros no Brasil estão altos. A resposta está em dois fatores principais: a Taxa Referencial (TR) e as regras estabelecidas pela Lei 12.703/2012, que mudou completamente a forma como a caderneta de poupança é remunerada no país.

O que é a TR e por que ela afeta tanto o rendimento

A TR (Taxa Referencial) é um índice calculado pelo Banco Central que serve como parte da remuneração da poupança. Criada nos anos 1990, ela funcionava como um indexador para diversos produtos financeiros.

O grande problema é que a TR está próxima de zero há anos. Isso significa que, na prática, essa parte da remuneração da poupança não adiciona quase nada ao rendimento final. Como a TR é um dos componentes do cálculo, quando ela está zerada, você perde uma parte importante do retorno que sua poupança poderia ter.

O Banco Central divulga regularmente o valor da TR, que pode ser consultado no site oficial da instituição. Nos últimos anos, mesmo com períodos de juros altos na economia, a TR permaneceu em patamares muito baixos ou zerados.

Como funciona a regra da Lei 12.703/2012

Antes de 2012, a poupança tinha uma regra simples: rendia 0,5% ao mês mais a TR, independentemente do cenário econômico. Mas a Lei 12.703/2012 trouxe uma mudança importante, criando duas regras diferentes dependendo do nível da taxa Selic (a taxa básica de juros da economia).

Segundo a lei, quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a TR. Essa é a regra que muita gente ainda conhece e lembra dos tempos antigos.

Porém, quando a Selic está igual ou abaixo de 8,5% ao ano, a poupança passa a render apenas 70% da Selic mais a TR. Essa segunda regra foi criada justamente para evitar que a poupança se tornasse um investimento muito vantajoso em períodos de juros baixos, competindo de forma desproporcional com outros produtos financeiros.

Por que a poupança rende tão pouco na prática

Juntando os dois fatores — a TR próxima de zero e a regra da Lei 12.703/2012 — fica fácil entender o problema. Em qualquer um dos cenários previstos pela lei, a poupança perde poder de rendimento:

Quando a Selic está alta (acima de 8,5% ao ano), a poupança rende apenas 0,5% ao mês mais a TR praticamente zerada. Enquanto isso, outros investimentos de renda fixa conseguem acompanhar melhor a alta dos juros, oferecendo rendimentos percentualmente maiores.

Quando a Selic está baixa (igual ou abaixo de 8,5% ao ano), a situação fica ainda pior: você recebe apenas 70% da Selic mais a TR zerada, ou seja, nem metade do que renderia pela regra antiga.

Por exemplo, hipoteticamente: se a Selic estivesse em 6% ao ano, a poupança renderia apenas 70% disso (4,2% ao ano) mais a TR. Com a TR em zero, o rendimento anual ficaria em apenas 4,2%, enquanto a inflação poderia estar em patamares superiores.

Alternativas para considerar

Entender essas regras ajuda a tomar decisões mais informadas sobre onde guardar seu dinheiro. Vale considerar que existem outras opções de investimentos de baixo risco que podem oferecer rentabilidade superior à poupança.

O Tesouro Direto, os CDBs de bancos médios que contam com garantia do FGC, e as LCIs e LCAs são algumas alternativas que muitas vezes apresentam rendimentos mais atrativos. Cada uma tem suas características próprias de liquidez, tributação e risco, mas em geral conseguem superar a poupança em rentabilidade.

A poupança continua tendo suas vantagens: é simples, tem liquidez diária (você pode sacar quando quiser, respeitando o aniversário mensal para não perder rentabilidade), é isenta de imposto de renda e tem garantia do FGC até o limite estabelecido. Para uma reserva de emergência ou para quem está começando, pode fazer sentido. Mas é importante conhecer as limitações.

O que você precisa saber antes de decidir

Antes de manter todo seu dinheiro na poupança, vale comparar com outras opções disponíveis no mercado. Pequenas diferenças de rentabilidade, ao longo do tempo, fazem grande diferença no seu patrimônio acumulado.

As informações sobre taxas, regras e rendimentos podem mudar ao longo do tempo conforme decisões do governo e do Banco Central. Os dados apresentados neste artigo refletem as regras vigentes estabelecidas pela legislação brasileira e informações disponíveis no site do Banco Central.

Conhecer essas regras é o primeiro passo para fazer escolhas mais conscientes sobre seus investimentos e entender por que aquela aplicação que parecia tão segura pode estar rendendo menos do que você imaginava.

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